sábado, 30 de abril de 2011

“Cinderela” – musical em patins sexta-feira no Multiusos de Fafe

Esta sexta-feira, 6 de Maio, acontece um excelente espectáculo para o público escolar, no Pavilhão Multiusos de Fafe. Chama-se “Cinderela” e é um musical em patins, desenvolvido pelo “palco partilhado”, a partir de um conto de Charles Perrault, com o apoio do município fafense.
Esta peça conta a história de uma dócil e formosa donzela, de nome Cinderela, que vivia com a sua detestável madrasta e duas mesquinhas meias-irmãs. Na ausência do pai, a madrasta atribui-lhe mil e uma tarefa, tratando-a como escrava. Certo dia, o príncipe do reino oferece um baile, ao qual Cinderela vai, trajada de forma irreconhecível, conquistando o coração do herdeiro.
Uma vez mais, conjugando várias formas de representação com a beleza da patinagem, a magia e a fantasia levar-te-ão a um mundo onde o sonho se pode transformar em realidade.
Um espectáculo único e fascinante, proporcionado por patinadores e actores profissionais, entre os quais se destacam Patrícia Candoso, Amílcar Azenha e Camilo Reis.






FICHA TÉCNICA

Direcção Técnica: Frederico Sá
Produção: Frederico Sá e Diana Caetano
Adaptação e encenação: Miguel Coelho
Coreografia: Frederico Bernardo
Cenografia: Rendilogo
Figurinos e Adereços: Paula Pires
Duração: 75 minutos (sem intervalo)
Classificação: M/4
Baseado na História: Cendrillon ou la petite pantoufle de verre (Charles Perrault)


sexta-feira, 29 de abril de 2011

De Portugal a Porto Seguro

        
De Portugal partiram as caravelas
Sulcando oceanos e marés
Vencendo medos e distâncias
Enfrentando procelas
De Portugal partiu Cabral
E a coragem indómita de Quinhentos
Entre azul de céu
E azul de mar
Se navegou e rezou e morreu
Para que o Mundo encontrasse
Em fogo e dor, esplendor e sofrimentos
O rosto universal que é hoje o seu

A Porto Seguro arribou enfim
Porto de abrigo, regaço amigo
A nau de Álvares Cabral
Ao paraíso terrestre
Praias de musas, corações abertos
Gente boa
Povo irmão, puro e gentil
E com ele e por ele Portugal
Deixou Lisboa
           
E se fez Brasil



NB: Há exactamente oito dias, comemorou-se o dia da luso-brasilidade, o 22 de Abril, data da chegada da destemida armada de Pedro Álvares Cabral às cercanias de Porto Seguro, no nordeste brasileiro, nos idos de 1500.
Fafe mantém, como é sabido, fortes ligações ao Brasil desde o século XIX e a Porto Seguro, em concreto, desde há mais de duas décadas, por virtude da construção da Casa da Cultura Portuguesa daquela cidade, obra do município de Fafe, através do comendador fafense António Fernandes de Barros.
Na Casa da Cultura de Fafe está patente uma exposição de obras do pintor Luís Gonzaga que evoca a ligação de Fafe ao Brasil, através da figuração em óleo dos mais famosos emigrantes fafenses que lá fizeram fortuna e deixaram imensos legados materiais pela cidade e diversas aguarelas (como a que ilustra este post) sobre temas “brasilianos”. Uma exposição a ver até 13 de Maio.
Resolvi homenagear a efeméride com este poema que fala da viagem e do encontro dos dois povos amigos e irmãos.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Bombeiros Voluntários de Fafe festejam domingo 121 anos de vida

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fafe comemora este domingo, 1 de Maio, os 121 anos da sua fundação, ocorrida em 21 de Abril de 1890.
A comemoração, que não se realizou no passado fim-de-semana, como seria normal, em virtude da ocorrência das festividades pascais, arranca pelas 7h00 da manhã com a alvorada e continua uma hora depois com a deposição de uma coroa de flores na base do Monumento ao Bombeiro.
Segue-se a visita de saudade aos cemitérios de S. Clemente de Silvares, onde repousam os restos mortais do ex-presidente Humberto Gonçalves; de Moreira do Rei, onde repousa o fundador da corporação, João Crisóstomo; e de Fafe, ao mausoléu da corporação.
Pelas 10h30, realiza-se a sessão de cumprimentos às autoridades municipais, nos Paços do Concelho e, meia hora depois, tem lugar a missa campal no parque de viaturas do quartel.
No final da cerimónia, realiza-se a imposição de medalhas a bombeiros voluntários, a bênção de viaturas e a mostra de equipamentos individuais dos “soldados da paz”.
Além da direcção e dos corpos gerentes da associação, confirmaram já a sua presença nas cerimónias um representante da Liga dos Bombeiros Portugueses, o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Braga, o Comandante Operacional Distrital, representantes de outras corporações do distrito, o presidente da Câmara de Fafe e o Comandante Operacional Municipal.

domingo, 24 de abril de 2011

Abril em mim, Abril em ti

 
De súbito, abriram os diques
longamente represados
era Abril

Soltaram-se as asas
as gaivotas voaram, voaram
renasceu em cravos vermelhos
todo um país
                 de mãos dadas

Abril em mim
Abril em ti
Abril em todos nós

Abril dos sonhos
para inventar
como quem tece de veludo
o irreprimível futuro
Ou alvorece feliz
na alegria das maçãs

As torrentes da liberdade
abriram em Abril
e fomos na aventura
à procura dos corações
no imenso mar das papoilas
as almas quentes da primavera
as palavras solidárias
para semear
                  a nova era

Ainda lá não chegámos?
Abril é ainda longe
se bem que ao alcance da mão?

Abril em mim
Abril em ti
Abril em todos nós

Ou a utopia fantástica
de um povo em transe
que todos os dias se cumpre
e recomeça
na música de um destino
urgente
que tem um nome: Portugal

Aleluia, aleluia

É urgente ressuscitar
a geografia da luz
É urgente saber dos cristais
do orvalho de encontro às buganvílias
É urgente o redondo das amêndoas
em teus olhos doces
É urgente amar
É urgente o amor
a limpidez da água sem princípio nem fim
o rubro quente das papoilas
o cantar das rolas em plena primavera
a liberdade a liberdade a liberdade
É urgente um mundo sem grilhões
uma boca com pão nos lábios
um coração de afecto derramado
entre os homens de boa vontade
uma festa uma alegria uma música
como se não houvera futuro
É urgente o reencontro com a claridade
o afecto os caminhos
a geometria das palavras amigas
É urgente ressuscitar
as mãos que se abraçam
os dias de sol as cantigas nas gargantas
a fraternidade a fraternidade a fraternidade
É urgente acreditar
não importa os deuses a natureza ou a eternidade
acreditar na capacidade de os homens
construírem o seu destino
que o mesmo é dizer a sua felicidade

23.Abril.2011

sábado, 23 de abril de 2011

25 de Abril, sempre!


Em momentos de crise, há sempre quem coloque em causa a bondade de datas simbólicas e fundadoras do Portugal recente, culpando-as das acções ou omissões dos líderes políticos actuais, que conduziram o país à situação dramática em que nos encontramos.
É o caso do 25 de Abril, cujo 37º aniversário se comemora na próxima segunda-feira. Este ano, sobretudo, coincide com o avolumar da crise económica, que obrigou, algo tardiamente, ao apelo à dita “ajuda” (se é que podemos falar nesses termos…) do BCE e do FMI, para podermos saldar as dívidas de curto prazo, contraídas por um viver demasiado além das nossas possibilidades e cuja factura vamos ter de pagar nos próximos anos com língua de palmo. Ao grave apuro económico e financeiro, junta-se a acentuada crise política, resultante da queda do governo e da convocação das eleições legislativas antecipadas para o dia 5 de Junho.
Pois, em momentos assim, adversos e difíceis, logo aparecem os arautos da desgraça a falar da “outra face do 25 de Abril” e a proclamar, com grande infelicidade de termos, que “Abril é data para esquecer”.
É claro que não é, bem pelo contrário. Que é que Abril, como data inauguradora da democracia, tem a ver com esta situação, que nos responsabiliza e culpa e todos, governantes e governados, que nos endividámos mais que o que devíamos, que não trabalhamos, se calhar, para a produtividade necessária a manter Portugal a níveis que não envergonhem?
Creio ser desnecessário relembrar que o Portugal de 2011, apesar de todas as crises, não tem nada, mas rigorosamente nada a ver com o Portugal de antes do 24 de Abril, que alguns saudosistas invocam demagogicamente por inconfessáveis razões políticas.
O Portugal dos nossos dias, herdeiro do 25 de Abril, é totalmente outro.
Como escreveu o então primeiro-ministro do PSD e actual presidente da Comissão Europeia, o insuspeito Durão Barroso, por altura da comemoração dos 30 anos do 25 de Abril, “a qualidade de vida média da população cresceu de forma significativa, a esperança média de vida aumentou e a generalidade da população tem acesso a todos os níveis de ensino, bem como aos meios culturais. (…) A ainda jovem democracia foi o quadro político indispensável do processo de desenvolvimento da economia e da sociedade portuguesa.”. E escreveu mais: “As condições de vida dos portugueses melhoraram tão significativamente que quase eliminaram a memória do passado, sobretudo nas gerações mais jovens. Basta relembrar o assustador número de alojamentos que em 1974 não possuíam electricidade, água canalizada ou esgotos, e compará-la com os de agora. Este é um campo onde qualquer pessimismo conjuntural não poderá apagar a mudança, seja qual for o indicador escolhido”.
Um testemunho pertinente e que vale a pena reabilitar, em cada momento. Porque o facto é que a inquestionável melhoria das condições de vida da generalidade dos cidadãos expressa-se certamente na aquisição de casa própria, bem como do seu apetrechamento com todas as comodidades da vida moderna. São escassas as habitações que hoje em dia não possuem casa de banho, água, electricidade ou esgotos. Multiplicam-se os electrodomésticos que dão conforto e bem-estar às famílias. E não faltam automóveis, televisores com múltiplos canais, computadores com ligação à Internet, telemóveis dos mais sofisticados, aparelhagens e equipamentos para tudo e mais alguma coisa.
Nestes mais de trinta anos, os portugueses estão mais ricos, mais felizes, mais qualificados, com condições de vida impensáveis há quarenta anos atrás.
Só por despudor e falta de senso se pode afirmar que o 25 de Abril tem culpa da actual situação. Enquanto as vacas estiveram gordas, todos bendissemos e glorificámos a esplendorosa efeméride. Agora que há apertos, aqui d’el rei que há um arguido para o nosso colectivo descontentamento!...
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra!...
Que as coisas estão complicadas em Portugal, por esta altura, não há como negá-lo. Demasiado desemprego, baixos salários, excessiva precariedade, ausência de perspectivas sobretudo para os mais jovens. Mas, por exemplo, a Espanha, que é uma monarquia, que é um país incomensuravelmente mais rico que nós, tem uma taxa de desemprego na ordem dos 20%, que é preocupante quer em termos absolutos, quer relativos. Será que também é culpa do 25 de Abril?
Claramente que vivemos uma crise global, em termos económicos e financeiros, que começou nos Estados e Unidos e alastrou pela Europa, atingindo primeiramente as economias mais frágeis, como as da Grécia, da Irlanda e de Portugal. Mas não consta que naqueles dois países, a responsabilidade seja do 25 de Abril!...
Por isso, voltamos a Durão Barroso e ao seu dito, muito verdadeiro, em defesa da Revolução dos Cravos, que muito desenvolveu e democratizou insofismavelmente o país: o “pessimismo conjuntural não poderá apagar a mudança, seja qual for o indicador escolhido”.
Nem mais! Tudo o resto é populismo, graçola, saudosismo irrecuperável!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

25 DE ABRIL VOLTA A SER COMEMORADO EM FAFE


À semelhança do que vem fazendo desde há mais de três décadas, a Câmara Municipal de Fafe vai comemorar o 37º aniversário do 25 de Abril com um conjunto de manifestações que incluem a entrega de diversas distinções e a inauguração de um polidesportivo de ar livre.
 
P R O G R A M A

Dia 25 de Abril (Segunda-feira)

09h00 – Alvorada de Morteiros
10h00 – Junto à Igreja de Aboim – Início da XI Marcha da Liberdade (Aboim-Moreira do Rei-Várzea Cova), organizada pelos Restauradores da Granja
10h00 – Hastear da Bandeira no edifício dos Paços do Concelho com o desfile da Fanfarra do Agrupamento de S. Gens do CNE
10h15 – Salão Nobre dos Paços do Concelho – Sessão solene evocativa da efeméride que inclui:
                            * Intervenção do Presidente da Assembleia Municipal, Dr. Laurentino Dias
                            * Intervenção dos representantes dos Partidos Políticos com assento na Assembleia Municipal
                            * Intervenção do Superintendente Delfim dos Passos, em representação da Associação 25 de Abril
                            * Intervenção de Tiago Soares – ex-presidente do Conselho Nacional da Juventude 
                            * Entrega do Prémio Dr. Maximino de Matos a Joana Isabel Ribeiro da Silva (foto a seguir)


                            * Entrega do Prémio de História Local “Câmara Municipal de Fafe” a Artur Magalhães Leite (foto a seguir)


                            * Entrega do Prémio Literário A. Lopes de Oliveira a Maria Adília Fernandes e Daniel Bastos

Capa da obra de Daniel Bastos
                        * Entrega da Medalha de Prata de Mérito Concelhio ao Instituto de Estudos Superiores de Fafe
                            * Entrega da Medalha de Ouro de Mérito Concelhio ao Padre José Peixoto Lopes (foto a seguir)


                            * Distribuição de Distinções aos Funcionários Municipais que completaram 15, 20 e 25 anos de serviço ininterrupto à Autarquia
                            * Intervenção do Presidente da Câmara Municipal, Dr. José Ribeiro

15h00 – Campo de Futebol de Armil – Início do XXV Torneio de Futebol Juvenil
15h30 – Inauguração do Polidesportivo de ar livre de Armil

Dia 29 de Abril (Sexta-feira)

15h00 – Salão Nobre dos Paços do Concelho – XI Assembleia dos Jovens Munícipes

terça-feira, 19 de abril de 2011

Artista fafense Fernanda Aguiar expõe na Junta de Freguesia de Santo Tirso

Terminada a exposição retrospectiva que manteve no Club Thyrsense, entre os dias 2 e 16 de Abril, a notável artista fafense e minha antiga professora e imensa amiga Fernanda Aguiar abriu hoje uma exposição de pintura de arte sacra na sede da Junta de Freguesia de Santo Tirso, a qual vai manter-se patente até ao dia 7 de Maio.
Fernanda Aguiar expõe desde há década e meia e conta já no seu rico currículo com dezenas de exposições artísticas, individuais e colectivas, em diferentes locais do país.
O catálogo desta exposição recupera um texto que tive o maior gosto em produzir há dois anos e que aqui reproduzo.


OS CAMINHOS FABULOSOS DA ARTE SACRA

Tendo embora despontado tardiamente para a pintura, a vocação artística de Fernanda Aguiar radica na infância mais luminosa. Porém, como acontece a tanta gente, a artista apenas começou a pintar e a expor quando terminou a sua competente carreira profissional de docente do ensino básico.
Criados os filhos, com tempo disponível e com o talento latente na alma, a artista existente em Fernanda Aguiar despertou, desocultando a sua força e energia interiores, moldadas por uma profunda sensibilidade, só ao alcance dos eleitos. Frequentou oficinas de formação, experimentou, copiou, criou, desapertou amarras e lançou asas rumo à auto-realização.
É hoje uma das pintoras que mais evoluiu nos pontos de vista técnico e artístico, assumidamente no sentido de uma maior segurança e maior equilíbrio do seu “saber fazer”. Não cessa de surpreender os seus admiradores – entre os quais nos contamos, desde há muitos anos – pela capacidade de permanente inovação e actualização.
Depois de um interessante percurso por diversas temáticas, que passaram pela “alma e a respiração da Natureza”, pelo retrato, enfim, pela figuração em tons plurais e sempre sedutores da vida, nos seus cantos e encantos, Fernanda Aguiar embrenha-se, nesta exposição, nos caminhos fabulosos da arte sacra. Situações da sua vida particular levaram-na a refugiar-se, obsessivamente, durante alguns meses, na pintura de anjos, santos, cristos, quadros bíblicos e outras matérias afins. E ainda bem que assim foi, diremos, paradoxalmente, pois o momentâneo fascínio pelo tema resultou, brilhantemente, num conjunto de obras de arte de alto gabarito, quer na reprodução de passagens relevantes dos Livros Sagrados, quer no cunho pessoal que empresta à maioria das obras, recriando-as com a sua alma de artista, como é possível admirar na presente mostra.
A exposição aqui fica, para que os visitantes a possam desfrutar, nas suas próprias leituras e interpretações, na sua espiritualidade ou na falta dela.  Que não é necessário ser religioso para apreciar a arte sacra, no seu esplendor!...
Sem dúvida que estamos em presença de uma artista que não nos cansamos de bendizer: como o vinho do Porto, está cada vez mais saborosa para se apreciar!...

Artur F. Coimbra


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Uma "nobre" falta de ética e outras perplexidades

Fonte: Expresso, 16/04/2011, p. 1
1. Falta ética na política, sem qualquer dúvida. Que é como quem diz, lisura de procedimentos, coerência de atitudes e de posições. Aqueles elementos que dão credibilidade a quem se apresenta à nossa frente para liderar os destinos do país, a qualquer nível e em quem podemos confiar. Tomemos o caso escabroso de Fernando Nobre. Tem toda uma vida admirável de voluntariado em países necessitados, foi fundador da AMI; era uma pessoa credível, aparentemente sensata, admirada por milhares de concidadãos.
Porém, o seu percurso político é tudo menos linear, apesar da sua alegada “independência”. Em 1992, foi monárquico; dez anos depois, apoiou Durão Barroso; em 2006, esteve com Mário Soares e em 2009 com António Capucho. No mesmo ano, era o defensor das ideias do Bloco de Esquerda, sendo mandatário de Miguel Portas ao Parlamento Europeu. Afirmava, convictamente, defender as ideias e os valores daquela força política, demonstrando com os seus livros e artigos de opinião a defesa de tais princípios. Muitos acreditaram que assim era.
Já este ano, concorreu às eleições presidenciais, com ar de quem é exterior à política e aos jogos políticos, numa presumível “isenção” que enganou demasiados eleitores. Fez toda a sua campanha divinizando o conceito da “cidadania”, o que quer que isso seja, tentando repetir o que Manuel Alegre fizera cinco anos antes, com maior êxito. À margem e contra os partidos, como se tal fosse uma virtude. 600 mil eleitores foram na cantiga do simpático e bonacheirão médico, com discurso entaramelado e sem o mínimo jeito para campanhas, comícios e banhos de multidão.
Ainda há poucos meses proclamava, com alguma arrogância e sem margem para dúvidas, que “jamais seria candidato ao lugar de deputado”, como se se recusasse a ser comido pela lepra.
Agora, num miserável golpe de rins, de quem não consegue enxergar-se, traindo os seus eleitores, Fernando Nobre aceitou ser nomeado como cabeça de lista do PSD por Lisboa às eleições de 5 de Junho, mas avisou, no Expresso da fim de semana, que apenas é candidato a um mandato que não consta do próximo sufrágio eleitoral: o de Presidente da Assembleia da República. E perante o espanto, a admiração e a incredulidade dos notáveis daquele partido e da sociedade portuguesa que nutria alguma admiração pelo conceituado médico.
O desiderato de Passos Coelho pareceria inteligente, se não se revelasse estupidamente ingénuo: os 600 mil votos de Nobre dariam para ganhar a Sócrates. Mas há um pequeno senão: alguém acredita que os votos de Nobre são votos para o PSD? Os votos da ”invenção de Soares” contra Alegre foram votos dos socialistas descontentes com a governação socrática, de alguma esquerda e de independentes que não se reviam em nenhuma das outras candidaturas. Se fossem votos do PSD, é óbvio, teriam ido engrossar os resultados de Cavaco Silva. A montanha vai assim parir um rato, o que denota a inabilidade política de Passos Coelho, que não há meio de descolar do PS, quando tinha todas as condições para liderar folgadamente as sondagens e estudos de opinião, o que não acontece. Antes pelo contrário… o PSD começa a perder gás e a campanha ainda nem começou.

2. Falta ética na política, mas também falta responsabilidade. Sócrates esticou demasiado a corda, no PEC 4 (cujos contornos são dignos de uma ficção científica…), com grande dose de irresponsabilidade, provocando deliberadamente a sua reprovação e consequente demissão do primeiro-ministro, quando avaliou que não havia outra saída. Tudo foi planeado ao pormenor. Mais uma invenção de um político altamente profissional, que se arrisca a voltar a S. Bento, pela porta grande. Nunca se sabe. Sócrates tem fôlego de sete tigres!...
Passos Coelho demonstrou também elevada falta de responsabilidade quando, num momento particularmente difícil da vida portuguesa, do ponto de vista económico e financeiro, contribuiu para a vinda do FMI e do Banco Central Europeu, ajudando activamente a precipitar a crise e a agravar a vida dos cidadãos.
PS e PSD são igualmente responsáveis por irmos atingir, nos próximos dois/três anos, a inqualificável fasquia dos 700 mil desempregados, a recessão económica abrupta, a perda do poder de compra generalizada, o aumento da pobreza, em troca de 80 mil milhões de euros, no mínimo.

3. Finalmente, falta um “compromisso nacional”, neste momento particularmente grave da história contemporânea. 47 personalidades portuguesas dos mais variados quadrantes políticos, entre os quais os ex-presidentes da República,  subscreveram um texto em que advogam que, antes das eleições, é necessário um consenso para garantir a “credibilidade externa” e o necessário “financiamento da economia” e, após o sufrágio eleitoral de Junho, um entendimento no sentido de garantir um governo estribado por uma “maioria inequívoca”.
O “compromisso nacional” terá de envolver todos, transversalmente, nesta crise demasiado séria e que se antevê prolongada. A demagogia tem de ficar à porta de qualquer tentação populista. O eleitoralismo tem de ser rechaçado, como fazem os bons guarda-redes.

4. Mas, vendo bem, enquanto os nossos líderes políticos se entretêm num pugilismo verbal miserável que provoca a troça dos países europeus, os portugueses lotaram os destinos turísticos nesta Páscoa, do Algarve ao Brasil e a Cabo Verde, entre muitos outros. Caso para questionar: afinal, a crise existe ou estamos todos a ficar loucos? Ou Portugal, é afinal um país de ricos?

(Publicado no Correio do Minho de 18 de Abril)

domingo, 17 de abril de 2011

UM SG GIGANTE EM FAFE

O cantautor Sérgio Godinho realizou na noite de sábado um excelente concerto acústico, no Teatro-Cinema de Fafe, no âmbito da série “Fafe em Concertos Íntimos”. Mais um momento alto que Fafe viveu. O SG Gigante regressou a Fafe 22 anos após a sua apresentação no Pavilhão Municipal, num concerto promovido também pelo município, em 22 de Abril de 1989, no âmbito do programa comemorativo do 15º aniversário do 25 de Abril.
A sala encheu de gente de todas as idades e condições, que vibraram com temas como “O primeiro gomo da tangerina”, “Dias úteis”, “Arranja-me um emprego”, “O velho samurai”, “Com um brilhozinho nos olhos”, “O primeiro dia”, “A Democracia”, “Liberdade” ou “Quatro quadras soltas”.
A seu lado estiveram três grandes músicos, “Os Assessores”: Nuno Rafael: direcção musical, guitarras, programação e coros; Miguel Fevereiro: guitarras, percussão e coros e Nuno Espírito Santo: baixo, percussão e coros.
Aqui ficam algumas imagens do brilhante espectáculo.



No mesmo âmbito, e na tarde de sexta-feira, Sérgio Godinho conversou com dezenas de crianças e jovens sobre a sua vida e obra, fazendo revelações interessantes sobre o seu percurso artístico e pessoal, que a todos deixou satisfeitos.
(Fotos: Manuel Meira Correia)


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sérgio Godinho regressa a Fafe, 22 anos depois, para conversa (sexta) e concerto íntimo (sábado)

O conhecido cantor Sérgio Godinho apresenta-se, na noite deste sábado, 16 de Abril, no Teatro-Cinema de Fafe, para o segundo espectáculo da série “Fafe em Concertos Íntimos”.
O espectáculo tem início às 21h30 e o ingresso custa 10 euros.
No mesmo âmbito, e na tarde de sexta-feira, a partir das 16h30, Sérgio Godinho está disponível para uma conversa íntima, na Sala Manoel de Oliveira, aberta do público que queira aparecer.
Depois do grande êxito do último álbum de originais “Ligação Directa”, considerado um dos melhores discos do ano da sua edição e da realização de uma série de concertos, entre eles algumas noites no Teatro Mª Matos, surge o lançamento do disco ao vivo “Nove e Meia no Maria Matos”.
Para além das recentes composições retiradas de “Ligação Directa”, como “Às Vezes o Amor”, “Só Neste País” ou “O Velho Samurai”, o músico, poeta e cantor vai interpretar grandes clássicos da história da música nacional, como “Com Um Brilhozinho nos Olhos”, “Espectáculo”, “Arranja-me Um Emprego” ou “O Primeiro Dia” ou ainda temas recuperados e rearranjados para estas apresentações – “Dias Úteis”, “Homem-Fantasma” ou ainda “Quatro Quadras Soltas”.
Ao seu lado estarão “Os Assessores”: Nuno Rafael: direcção musical, guitarras, programação e coros; Miguel Fevereiro: guitarras, percussão e coros e Nuno Espírito Santo: baixo e coros.
Um grande espectáculo em perspectiva, com lotação que deverá esgotar.
Sérgio Godinho regressa, assim, a Fafe, 22 anos depois de aqui ter actuado em 22 de Abril de 1989, no Pavilhão Municipal, no âmbito do programa comemorativo do 15º aniversário do 25 de Abril promovido pela Câmara Municipal .

domingo, 10 de abril de 2011

Também sou da história do "Sá de Miranda" (Braga)

A Escola Secundária Sá de Miranda, em Braga, está a comemorar os 175 anos da criação do Liceu de Braga, de que é herdeira, com um conjunto de actividades e eventos que honram a enorme história desta instituição ilustre da capital do Minho.
Também eu fui aluno do então Liceu Nacional Sá de Miranda. Foi entre os anos de 1974 (logo após terminar o então curso geral dos liceus, no Colégio Municipal de Fafe) e 1976. Vejam lá a figurinha que acima transcreve aquele período. Aquela (saudosa) cabeleira e uma cara de menino de pouca barba, dos meus 17/18 anos.
Foram dois anos imensamente ricos, vividos numa altura de transição política e social, decorrente do 25 de Abril. Foi lá que vivi alguns dos acontecimentos do Verão quente de 1975, que me introduzi em algumas utopias politicas, como a efémera simpatia pela LUAR, de Palma Inácio. Foi por essa altura que escrevi grande parte dos poemas que haveriam de integrar o meu primeiro livro de poesia, O Prisma do Poeta. Foi por essa altura que iniciei uma colaboração regular com o diário Correio do Minho, que dura até hoje, mais de 35 anos depois. Lá escrevi quilómetros de prosa e alguns metros de poesia, numa gloriosa página literária que o tempo fez desaparecer e onde alguns poetas minhotos se estrearam a publicar os seus versos.
Para o Correio do Minho haveria de enviar volumosas colaborações de Serafão e de Fafe, durante muitos anos, como correspondente. Mais recentemente, com crónicas semanais e agora quinzenais.
Dos tempos do Sá de Miranda, a que nunca mais voltei, sobraram alguns amigos, colegas do então “6º e 7º anos” e não só. Foi um período que me marcou e a cuja memória às vezes regresso, quando lembro a cidade amiga, culta, onde a história e a modernidade se caldeiam, onde dá gosto passear, e a cujas movimentadas ruas regresso semanalmente, acompanhado da esposa, num ritual que me dá imenso prazer.

sábado, 9 de abril de 2011

Fafense Luís Marques Mendes em alta

Há dois meses editou o seu segundo livro de análise politica, com o título O Estado em que estamos, em que examina sem piedade um país em crise e propõe soluções para o resgatar. Falamos do advogado, político, gestor e comentador fafense Luís Marques Mendes.
Na linha do anterior Mudar de Vida (2008), a presente obra distribuiu-se por três grandes capítulos: “Portugal, um pântano politico e financeiro”, “Um governo sem ética e coerência” e “Merecemos uma sociedade melhor”.
O livro constrói-se em torno das opiniões políticas expressas, por dever de cidadania, em colaborações regulares na comunicação social (TVI24, Correio da Manhã e Expresso), acompanhadas de outros textos completamente novos e mais actuais.
O objectivo assumido pelo autor é “contribuir para um debate útil na sociedade portuguesa acerca do ‘estado da arte’ da nossa vida colectiva, na perspectiva de lograrmos alcançar um futuro diferente e melhor do que aquele que temos vivido nos últimos anos”, no sentido de que os portugueses voltem a ter esperança no seu país e no seu futuro.
Entretanto, a edição de hoje da revista NS’ (Notícias Sábado’ 274), inclui cinco páginas dedicadas a Marques Mendes, “comentador de sucesso”.
Aí ficam as páginas da revista, sobre o poder de um fafense na esfera mediática.





Telemóvel: o novo ditador

Não sei se os leitores já repararam: uma das maiores ditaduras da actualidade é nem mais nem menos do que o telemóvel. Não é Sócrates, apesar das tentações; não será Passos Coelho, ainda imberbe nesses domínios. Muito menos, Pinto da Costa ou Alberto João Jardim, apesar da falsa toleima de que têm alguma piada. Nem sequer o FMI.
É esse pequeno aparelho, cada vez mais leve e minúsculo, cada vez mais sofisticado, que se enfia no bolso do casaco ou das calças, para já não falar da carteira das senhoras, esse universo multímodo e caótico que só elas conseguem descodificar. Um aparelho às vezes inconveniente, que toca nos lugares mais indiscretos, como uma igreja, um cemitério ou uma reunião sigilosa. Para já não falar num encontro impróprio, no tempo, no lugar ou na pessoa.
O telemóvel acaba por ser a nossa segunda pele, de que não podemos abdicar, sob pena de perdermos a nossa identidade. É mais fundamental que o computador, que tanto divinizamos: porque podemos sair de casa sem o computador, sem qualquer problema. Vamos ao futebol sem o computador. Vamos ao centro comercial sem o computador. Podemos adiar a leitura do correio electrónico; deixamos para mais tarde a actualização do blogue, ou a visita ao facebook.
Contudo, não somos capazes de dar um passo na vida sem a segurança do telemóvel: sair de casa sem o telemóvel no bolso é como colocarmos o pé fora da porta, para trabalhar, em chinelos ou em pijama. Estamos nus, descompostos. Falta alguma coisa. Melhor, o essencial. Esquecemos às vezes a carteira, ou os óculos, mas nunca o telemóvel.
Se saímos de casa sem o ditador, voltamos atrás, porque não podemos estar um dia sem o telemóvel. No emprego, é claro, há telefone fixo. Podemos contactar e ser contactados. Mas não é a mesma coisa. Qualquer pessoa que tenha o nosso número, pode querer ligar a qualquer momento e nós não “estamos” lá. Não podemos atender. E se repente nos dá a vontade de dizer “bom dia” à nossa mãe, mandar um piropo à namorada, enviar uma mensagem de aniversário ao amigo que já não vemos há vinte e dois anos? Como é que vai ser?
Não nos venham com a lengalenga estafada de que até à existência do telemóvel, há bem poucos anos, as pessoas também viviam, também se falavam, deixavam recados, marcavam encontros, viajavam, iam e vinham, e tudo seguia normalmente. Ninguém morria se não soubesse durante duas ou três horas do nosso paradeiro.
Hoje, não. Na era do telemóvel, da urgência, da velocidade, da momentaneidade, se durante vinte minutos não conseguirmos contactar o nosso filho que foi dar uma volta de bicicleta, ligamos de imediato para a polícia, para o Hospital, para o INEM, colocamos um anúncio na internet, “desapareceu…”.
O telemóvel é, na verdade, o tirano dos tempos modernos. Reparemos, durante um simples jantar: estamos a comer, a beber, como que distraidamente. Mas não é distracção: de dois em dois minutos, fixamos o aparelho, não para ver as horas, mas na secreta esperança de que alguém ligue ou envie um simples SMS. Alguém, ou ninguém: é já hábito, costume, expectativa, paranóia. E se alguém calha de ligar, levantamo-nos, desviamo-nos, orelha colada ao aparelho, sorriso nos lábios, como se a banal chamada fosse a coisa mais importante do mundo.
E quando estamos a cavaquear num grupo de amigos ou de conhecidos? Se o telemóvel toca, interrompem-se as conversas, finam-se os diálogos: mais que quem está presente, ao nosso lado, quente de proximidade, releva quem está do outro lado do aparelho, frio, palavroso. A prioridade não é quem está junto de nós, é quem nos telefona. Mesmo que não tenha nada de importante para nos dizer, que seja para informar que o espectáculo não é às 9 mas às 10 da noite, ou que não vai jantar a casa. Pelo simples facto de estar a falar à distância, sobreleva sobre tudo o resto: todas as conversas, os encontros, por mais substanciais e primordiais que sejam.
Hoje o telemóvel é mais importante que tudo na vida. Ele é a vida, e tudo se lhe subjuga. Desligamos o computador, o televisor, o automóvel, a leitura, a música, o quotidiano. Não desligamos nunca o telemóvel, nem de noite, nem ao fim de semana, nem nas férias. É que “alguém” pode ligar. Ou ninguém, como acontece a maioria das vezes!...
Mudam-se os tempos, evoluem as vontades, subvertem-se os valores.
Estamos todos loucos. E a culpa não é das novas tecnologias. É da nossa cabeça alienada!

(Texto publicado na edição desta sexta-feira do semanário local Povo de Fafe e parcialmente lido na crónica quinzenal das sextas-feiras que o autor mantém na Rádio Fundação)