segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Independência para a Madeira, já!

Lê-se e fica-se estupefacto com a desfaçatez do régulo da Madeira, a qual, francamente, parece que não é parte integrante do território português, tal a disformidade de comportamentos, decisões e atitudes no Continente e naquela região autónoma. Dir-se-ia que a Madeira não é Portugal. E não é, de facto, bem vistas as coisas!
AJJ, numa atitude de manifesto desespero arruinado, dispara contra tudo e contra todos, como se não houvesse amanhã. Primeiro, era a “Trilateral”, depois a “Maçonaria”, depois, o “Estado Central” e o “sistema capitalista”. Mais recentemente, foi o “anterior governo e o seu ataque financeiro à região”, através da lei das finanças regionais, foram os “ingleses” e agora “a esquerda”.
Os males endémicos da Madeira, nunca têm nada a ver com o sujeito, com o seu regabofe, o seu despesismo medieval, o seu autoritarismo clientelar. Nos últimos anos, a culpa dos milhões que foram gastos em foguetes e esferográficas foi de Sócrates que, no fim de contas, não deu à Madeira a autonomia que o homem queria.
Como irresponsável que é, para não dizermos mais, AJJ “chuta” sempre as culpas para os outros, de preferência, os “cubanos”, ou seja, todos nós, os que, com os nossos impostos, pagamos os destemperos, os desatinos e o folclore demagógico e eleitoralista que permanentemente o caracteriza. Gasta fortunas para nada e nós é que pagamos. E ainda por cima nos goza, nos ofende e nos enxovalha permanentemente!
Agora ficámos a saber, pelo jornal i, que na Madeira a estrutura governativa é mais pesada do que a do Continente.
A megalomania da governação desgovernada, compreende 28 direcções regionais, 5 institutos, 33 empresas públicas ou participadas, algumas completamente falidas.
Fecharam o ano de 2010 com 33,6 milhões de euros de prejuízo e resultados transitados negativos de 471 milhões de euros.
Toda aquela máquina deve 5242 milhões de euros, um valor superior a toda a riqueza gerada pela actividade económica da região.
Agora, que o governo mudou, AJJ vem proclamar que aumentou a dívida da Madeira, “para poder negociar com o governo liderado pelo PSD”. Vem, assim, pedir, de joelhos, que o governo central forneça uns bons cobres para refazer a liquidez da “Pérola do Atlântico” para que, depois, possa vociferar, mais uma vez, contra os continentais que o sustentam com língua de palmo e têm de aturar as suas diatribes irresponsáveis.
Para o sujeito que governa a região, a solidariedade nacional que obriga à contenção é uma treta. Ele quer é dinheiro fresco para continuar a esbanjar à tripa forra o dinheiro de todos os portugueses, com a suave e costumada complacência de Lisboa, de quem espera agora “cumplicidade política”, pois então?!
Desde 2005, a dívida da Madeira mais que duplicou. Passou dos 478 milhões para os 963 milhões, em 2010, ou seja, mais de 101,5%.
Ao que se lê, e não se acredita, o governo regional dá anualmente a um jornal da Madeira, afecto e propagandeador do regime, 400 mil euros. É inacreditável que em Portugal este salazarismo abjecto ainda seja possível e ninguém diga nada!...
Esta péssima gestão dos dinheiros públicos não é capaz de uma mera palavra de condenação dos corajosos governantes actuais do PSD, tão patrioticamente afoitos a extorquir metade do subsídio de Natal dos trabalhadores e a decretar impostos e aumentos de serviços, num ataque despudorado à classe média e aos portugueses de mais fracos recursos financeiros. Os mais ricos ficam de fora, como convém!...
Eles é que (não) pagam a crise!...

PS – Eu, muito modestamente e abominando a arrogância, a insolência continuada, o despotismo, o falabaratismo, o vazio cultural e intelectual do sujeito, o culto da personalidade, o desperdício financeiro reiterado, não me importo nada que a Madeira se desvincule de Portugal e se torne, não autónoma, mas absolutamente independente. Sempre se poupavam uns milhões que estão a forrar os cofres de quem não o merece, é ingrato e passa a vida a insultar os portugueses que lhe pagam a existência.
O sujeito para quem a solidariedade nacional é meramente unívoca: de cá para lá, sempre, como se viu aquando das inundações do Funchal, em que teve de amochar a orelha e tão “amigo” ficou de Sócrates, até à próxima punhalada...
De cá para lá, vai dinheiro a rodos; vão turistas, vai solidariedade institucional e leis gerais da República.
De lá para cá, apenas insultos, afrontas, provocações, farisaísmo puro e duro. Que se dane e que nos deixe em paz.

Independência para a Madeira, já!


domingo, 28 de agosto de 2011

Meu querido mês de Agosto (11)


O F. C. Porto triunfou no Torneio de Portugal, em andebol, o qual terminou hoje no Pavilhão Multiusos de Fafe, ao derrotar o Benfica, por 25-24, numa final marcada pelo equilíbrio desde o início até ao final dos 60 minutos.
Perante um recinto praticamente lotado, a tarde foi lugar de um jogo bem disputado e competitivo, por parte de duas excelentes equipas, porventura as maiores do panorama andebolístico nacional, neste momento.
O F. C. Porto tinha chegado à final, no sábado, após ter batido o Sporting, por 20-18, enquanto o SL Benfica havia derrotado tangencialmente o ABC, por 29-28.
Ao início da tarde de hoje, o Sporting venceu o ABC por 32-27 e garantiu o terceiro lugar da competição, que honra Fafe e o desporto nacional.
Fafe fica, definitivamente, na rota dos grandes acontecimentos desportivos nacionais e internacionais, neste caso, do andebol.
No final, foram entregues os prémios relativos ao torneio.
O troféu para o melhor marcador foi entregue a José Pedro Coelho (ABC), enquanto o melhor guarda-redes distinguiu Ricardo Candeias (SL Benfica). O melhor jogador foi Dario Andrade (F. C. Porto). O prémio disciplina (Fair Play) foi averbado pelo Sporting Clube de Portugal.




Gala do andebol nacional realizou-se sábado no Teatro-Cinema

Carlos Carneiro, jogador do SL Benfica, foi eleito o melhor jogador do campeonato português de andebol, na Gala do andebol que teve lugar sábado à noite no Teatro-Cinema de Fafe.
Ljubomir Obradovic, treinador do FC Porto, foi considerado o melhor treinador, enquanto Carlos Pereira do Madeira SAD recebeu a distinção de melhor dirigente.
Já na parte feminina, Vera Lopes, do Gil Eanes, recebeu o prémio de melhor jogadora da época 2010/2011.
Perante uma sala com 300 pessoas, foram ainda distinguidos com o Prémio Homenagem, José Garcia França, com o Prémio Carreira Pedro Feist e com o Prémio Reconhecimento a Jorge Rodrigues.
Mais um acontecimento que honra de sobremaneira a cidade de Fafe, palco de grandes acontecimentos desportivos nacionais.





Reportagem fotográfica: Manuel Meira Correia

 

sábado, 27 de agosto de 2011

Meu querido mês de Agosto (10)

Fafe está a ser a capital do andebol em Portugal até ao próximo domingo


Sem que muitos se dêem conta, a cidade de Fafe volta a ser palco de um grande acontecimento desportivo de âmbito internacional, concretamente o Torneio de Andebol de Portugal, que começou na quinta-feira e se prolonga até domingo, 28 de Agosto.
O epicentro é, uma vez mais, o Pavilhão Multiusos de Fafe e nele participam os quatro maiores emblemas nacionais da modalidade (F. C. Porto, ABC, SL Benfica e Sporting CP) e duas equipas estrangeiras, a selecção de Angola e a Lugi Handeboll (Suécia).

Resultados das primeiras duas jornadas:

I Jornada:
F. C. Porto, 32 – Selecção de Angola, 25
ABC, 38 – Lugi Handeboll, 33

II Jornada:
Sporting, 24 – Selecção de Angola, 20
Benfica, 34 – Lugi Handeboll, 22

Este sábado, dia 27, realiza-se a III Jornada, com os jogos:
15h00: ABC-SL Benfica
17h00: FC Porto – Sporting

Domingo, 28 de Agosto, último dia da competição, realizam-se as partidas seguintes:
11h00: jogo entre o 5º e o 6º classificados
14h30: jogo entre o 3º e o 4º classificados
17h00: Final

Haverá ainda um jogo “All Stars” (Feminino), a partir das 18h30.

Juntam-se algumas imagens das duas primeiras jornadas, gentilmente cedidas pelo fotógrafo colaborador deste blogue, Manuel Meira Correia.








Este jovem jogador do SL Benfica tem a particularidade, por alguns conhecida, de ser de Fafe: chama-se Pedro Peneda e tem qualidades para singrar na modalidade 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Meu querido mês de Agosto (9)

Grandes romarias de Fafe culminam este fim-de-semana

Santuário de Nª Sª das Neves, na Lagoa
Este fim-de-semana vai ser de arromba no município de Fafe, sobretudo nas localidades de Lagoa e de Travassós. Celebram-se as maiores romarias de Agosto, neste concelho.
Na sexta-feira (e no domingo), a Lagoa volta a acolher milhares de fafenses e de forasteiros que se deslocam, ao longo do dia, ao santuário de Nª Sª das Neves, não apenas para “tirar o diabo”, como é tradição popular, para exorcizar os demónios e os fantasmas mentais, mas também para rezar à Virgem, numa manifestação de fé que os católicos muito apreciam, num dos templos marianos mais importantes do distrito. Trata-se de uma romaria que vem já de há séculos e que tem atraído inúmeros forasteiros a esta localidade fafense, numa devoção que anualmente se repete, por esta altura.
Procissões, actos litúrgicos, bandas de música, folclore, venda ambulante e foguetório são alguns dos motivos de interesse que levam tantos romeiros às longínquas paragens de Aboim e de Várzea Cova, freguesias por que se divide o lugar da Lagoa.
No sábado e no domingo, é a vez da celebração das grandes festas em honra de Nª Sª das Graças, em Travassós, tradicional romaria do último domingo de Agosto. Espectáculos, cerimónias litúrgicas e muita alegria são igualmente os números fortes do programa desta que é uma das mais importantes romarias de Fafe, a última grande romaria do mês em curso e que leva a Travassós milhares de pessoas. Como a anterior, e todas as romarias populares, nela se misturam e fundem, harmoniosamente, as instâncias religiosa e profana, tão do agrado do povo, que sabe distinguir as águas e separar os campos.
A propósito, deixamos aqui no “Sala de Visitas do Minho” um belo poema, já com 25 anos, da autoria de um poeta fafense já falecido, Sousa Machado, e que é do seguinte teor:

Nossa Senhora das Graças



Ao Dr. António de Barros e Vasconcelos
-com admiração e estima

Nossa Senhora das Graças
Dá-me a Esperança que perdi
Agradeço que assim faças
- Nem sempre a vida sorri...

Nossa Senhora das Graças
Que manto tão bonitinho...

Levantei as mãos aos Céus
Numa sincera oração
E fitei os olhos Teus
Abri-Te o meu coração.

Nossa Senhora das Graças
Que olhar tão terno e tão doce!

O mundo à volta é abismo
Nada de bom pode dar
Pois por isso eu penso e cismo
Mesmo aqui junto ao altar.

  Nossa Senhora das Graças
  Que linda Imagem, Senhora!

Os sonhos vão acabando
Que não acabe a Esperança
Que a Senhora abençoando
Dá-nos a fé e a bonança.

Janeiro, 1986
(Justiça de Fafe, 30/01/1986, p. 1).


Meu querido mês de Agosto (8)

O direito à indignação, e outros protestos

Mesmo quando estamos a banhos, tranquilamente, retemperando as energias para o ano que se aproxima, o mundo não pára de evoluir, o governo não cessa de nos trapacear, tal como não paramos de “ver, ouvir e ler”, que até dispomos de mais tempo para o fazer.
Mesmo em férias, não abdicamos do constitucional e filosófico direito à indignação e motivos para o exercer não faltam.
Há um ano atrás, em 14 de Agosto, no Pontal, aqui ao lado, Passos Coelho, então apenas o demagogo de serviço da oposição, prometia chumbar qualquer orçamento em que se anunciasse aumento de impostos. Como bem recorda a Visão da semana passada, insurgia-se ferozmente contra os cortes nas deduções fiscais. Gritava contra um governo que não se podia limitar a arranjar desculpas, mas deveria cumprir o dever de governar. E falava sem tabus das portagens que deveriam existir em todas as Scut, apoiava a regionalização e jurava não mexer nas taxas do IVA.
Desde há mais de dois meses governo, por vontade da maioria relativa dos portugueses que exerceram o seu direito de voto (e são esses que contam…), Passos Coelho é a personificação da mais funda desilusão, do revoltante contraste entre o que se promete e o que se faz: para isto, que não é exclusivo de Passos Coelho, como é óbvio, mas verificou-se igualmente com os governos do PS, melhor seria não haver campanha eleitoral, nem manifestos, nem programas de governo, que não são mais que mentiras bem ordenadas. Gastam-se rios de dinheiro para debitar promessas que não são para cumprir.
Vejamos.
Não haverá aumento de impostos: se calhar, o infame corte de 50% no subsídio de Natal dos funcionários públicos, é apenas uma dádiva religiosa para o peditório governamental. Imposto? Quem fala nisso!...
E para 2012, já se anunciam mais impostos!...
Não haverá aumento do IVA: o aumento brutal da factura da electricidade e do gás natural, passando dos 6 para os 23%, mais não representa do que um divertimento que os portugueses estão dispostos a prodigalizar, para ajudar o governo a ganhar as próximas eleições. Aumento do IVA? Quem fala nisso!...
Selvático aumento dos transportes públicos? Não passa de uma demagógica miragem!..
Portagens nas Scut? Calma, que os interesses partidários estão primeiro, e a palavra de ontem não é para cumprir!...
Regionalização? Nem pensar, que o regabofe social-democrata (não esqueçamos) da Madeira (que havemos de glosar, pelo escândalo que representa…) não autoriza a pensar no assunto!...
Não haverá desculpas? Afinal, há. Aquela coisa fantasmagórica do “desvio colossal”, que ainda ninguém percebeu o que seja, a não ser talvez na cabeça bem pensante e monocórdica do ministro das Finanças!...
Dir-se-á que tudo isto são imposições da “troika”. Serão, ou não. A dita cuja não ordenou o corte de metade do 13º mês, ou ordenou? Obviamente que tal é uma criação exclusiva de que o governo se pode gabar…
Tudo agora serve de desculpa para oprimir os portugueses com mais impostos, aumentos e cortes! É o que este governo sabe fazer…
O objectivo, ao que dizem, é aumentar a receita do Estado à custa do expediente fácil: esfolar o contribuinte. Para isso, não era necessário eleger um governo inteiro. Qualquer merceeiro de aldeia sabe como fazer: para acrescentar a receita, basta aumentar os preços do arroz e da massa. Há alguma ciência nisso?
Ciência está em fazer como o governo não se cansa de indicar aos pacóvios: fazer melhor com menos dinheiro. Então, que dê o exemplo!.. Ou a miraculosa receita é apenas para os outros?
É muito fácil aumentar as receitas pela via fiscal, impositiva. Difícil é conter as despesas. E aí ainda não há qualquer directiva. Adia-se sistematicamente o anúncio dos cortes, porque a coisa ia mais fino. E para quem, na campanha, anunciava que tinha o assunto bem estudado e sabia onde cortar, até que nem está nada mal… Está péssimo.
Aliás, como há dias escrevia no Expresso o insuspeito Miguel Sousa Tavares: “tivessem sido José Sócrates e Teixeira dos Santos a fazer o décimo das maldades que este governo já fez aos portugueses (…) e teríamos as multidões na rua e a imprensa aos gritos”.
Mas, curiosamente, ou talvez não, há por aí uma complacência e uma condescendência (ou será apenas manifestação de culpabilidade de quem o elegeu?) relativamente ao tenebroso assalto aos bolsos dos portugueses por parte do executivo de Passos Coelho, que não havia perante José Sócrates, a quem nada se perdoava, do que agora se afirma, com perversa inocência, “ter de ser, para levantar o país, porque as coisas estão mal, etc. e tal…”. Pura e louca logorreia!
Que o governo não pense que os portugueses estão dispostos a manter o estado de graça indefinidamente: se o governo agride os portugueses com constantes aumentos, os portugueses vão obrigar o governo a governar como deve ser. Que não espere outra coisa.
Que ponham ordem nas contas públicas mas também moralidade no Estado. Há alguma razão para que um ex-presidente da Assembleia da República, Mota Amaral, tenha a prerrogativa de um gabinete próprio na AR, a que foram afectos uma secretária, uma viatura e um motorista exclusivos, conforme despacho da nova presidente Assunção Esteves, nº 1/XII? Mas estamos no reino do Bokassa?
E a infindável legião de "boys" e "especialistas" de cartões partidários para tudo o que é ministério e secretaria de estado?
Há alguma razão para que o governo, até agora, se tenha limitado a tributar os rendimentos do trabalho e deixado de fora as fortunas e os dividendos do capital e da especulação?!...
Que é que o governo tem feito para acabar com esses centros da especulação e do crime que são os paraísos fiscais, para onde muitos enviam o dinheiro não se sabe de que proveniências?!... Nem anúncios...
O que apetece proclamar, calmamente, deste Verão para o futuro, é que estes intrujões vão todos para aquela banda, que é para os não tratar mal!...
Os seus apaniguados que tenham paciência: a ideologia de nada vale perante o saque diário que estão a fazer às carteiras dos portugueses. Se ainda assim acharem que exagero, só tenho um conselho: continuem a autoflagear-se, masoquisticamente, cristãmente. Como D. Policapo quer!...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Meu querido mês de Agosto (7)

 
Gandas campeões!...

A selecção sub-20 sagrou-se este domingo vice-campeã do mundo, em futebol, sendo derrotada, algo injustamente, pelo colosso Brasil, por 3-2, apenas no prolongamento, exactamente aos 111 minutos.
Mesmo assim, os nossos jovens jogadores, catalogados como a “Geração Coragem”, só podem merecer de todos os portugueses os maiores louvores, porque são hoje o nosso colectivo orgulho, e aquilo em que, unanimemente, nos podemos rever, já que em outras áreas apetece mandar alguns para aquele sítio, como faremos.
Os nossos jovens futebolistas surpreenderam o mundo e até Portugal porque, à partida, ninguém esperaria um tão grande feito, habituados que estamos a olhar apenas para a selecção de Paulo Bento e a menorizar a “rapaziada” dos escalões mais jovens.
Estes jovens transcenderam-se e acabaram por corporizar um percurso competitivo com o qual, porventura, até os próprios não contavam, à partida para a Colômbia.
Estão todos de parabéns, estes moços heróis lusitanos, como Mika (melhor guarda-redes da prova), Cédric, Júlio Alves, Roderick, Nuno Reis, Mário Rui, Danilo, Pele, Saná, Sérgio Oliveira, Alex, Caetano e Nélson Oliveira (segundo melhor jogador do torneio e um dos melhores marcadores), entre outros. Bem como, com toda a justiça, a equipa técnica em que poucos acreditavam, liderada por Ilídio Vale. Um grande bem-haja a todos eles. Portugal tem mesmo futuro, como referiu o seleccionador. Um grande futuro, com grandes jogadores, como os vários jogos demonstraram. Atletas de enorme potencial e de inegável qualidade técnica, em muitos casos superior a muitos dos 272 jogadores estrangeiros que campeiam no futebol português.
E aqui é que bate o ponto: o sistema futebolístico nacional tem, nos últimos anos, privilegiado em excesso os jogadores importados dos países do Leste europeu, do Brasil ou dos países sul-americanos (Argentina, Uruguai, Paraguai, etc.), muitos de qualidade duvidosa, que aqui chegam e logo partem para outros emblemas, sem acrescentarem pevide ao futebol nacional.
É urgente apostar nos jovens futebolistas portugueses, sobretudo nos mais credenciados e capacitados, como têm demonstrado à saciedade.
É urgente dar oportunidade a estes jovens de imensa garra e incomensurável talento, dando-lhes espaço nas equipas de topo, às quais alguns estão ligados. Temos de acabar com a vergonha de vermos equipas como o SL Benfica, da qual me orgulho de ser adepto, alinhar nos últimos jogos sem um único atleta português. Escandaliza-me que tal seja possível, ou melhor, que não haja regras de conduta que defendam e valorizem os jogadores nacionais.
É urgente acabar com a maciça importação de jogadores, como quem importa batatas ou cebolas, até por uma questão de apoio à economia nacional, neste momento difícil da vida cá do burgo. Vamos acabar com as importações excessivas de atletas, muitos deles de discutível talento e que nada acrescentam ao que já cá existe.
Esperemos, enfim, que este grande campeonato do Mundo protagonizado por estes maravilhosos jovens lhes dê, ou à sua maioria, acesso aos maiores estádios deste país e que daqui a alguns anos sejam eles a concretizar a maioria da selecção A das quinas.

domingo, 21 de agosto de 2011

Meu querido mês de Agosto (6)

Imagem da net
 

Mau tempo e baratas tontas

O sol é o condimento necessário e imprescindível para quem se desloca a banhos para as praias, sobretudo do sul do país.
O calendário dos veraneantes está formatado para que o paradigma seja apenas “trabalhar para o bronze”, o que supõe e pressupõe o sol brilhante.
É por isso curioso apreciar o que se passa nos dias em que o astro-rei não brilha do alto dos seus anos-luz, como ainda aconteceu neste fim-de-semana algarvio.
Nesses dias, os veraneantes não sabem, literalmente, o que fazer, descontrolados que ficam. São autênticas baratas tontas a tentar passar o tempo da forma mais criativa, ou eficaz.
Os mais resistentes, mesmo assim, vão para a areia, armados dos seus coloridos guarda-sóis que servem também para abrigar dos pingos de chuva, ou precaver a sua iminência. Jogam à bola, ou às cartas, lêem, ou dormem despreocupados, com a tranquilidade de quem nada tem para fazer.
Os restantes, ou ficam por casa, a ver telenovelas ou a arrepiar-se com os berros da Júlia Pinheiro, ou desdobram-se nas tarefas de lotar os centros comerciais, à cata de nada, simplesmente de que o malfadado tempo passe e o céu mude, como por milagre, do negro chuvoso das lágrimas para o azul celeste, salvo conduto para regressar ao “bronze”.
Só o sabe quem por cá passa, nesta situação.
É mais difícil passar um dia sem sol na praia, em tempo de férias, do que uma semana nas romarias do nosso verde Minho. Que saudades da nossa alma de portugueses!

Meu querido mês de Agosto (5)

Chegaram ao fim os “Sons de Verão”em Fafe


O programa de animação musical de Verão, em Fafe, promovido regularmente pela autarquia há já muitos anos e que arrancou em meados do mês de Julho, concluiu este fim-de-semana, no centro da cidade.
Na sexta-feira, dia 19, o espectáculo teve o protagonismo do Rancho Folclórico Juventude do Alto Minho de Saint Priest Lyon, que integra sobretudo emigrantes minhotos, onde pontifica um acordeonista da nossa terra. Ao que sabemos o espectáculo correu muitíssimo bem, dando a oportunidade para a apresentação de um espectáculo de emigrantes que teimam em manter acesa a tradição do folclore minhoto por terras de França.
No sábado, 20 de Agosto, o programa “Sons de Verão” concluiu com um excelente espectáculo de fado da jovem artista Cláudia Madur, natural de Baião, em Trás-os-Montes. Trata-se de um jovem valor da mais típica canção portuguesa, que encantou quem a ele teve o privilégio de assistir.
Concluído o programa musical, que juntou milhares de pessoas ao longo de mais de um mês, a animação de Verão culmina esta quarta-feira, dia 24, com a exibição do filmeRio”, de Carlos Saldanha, no Anfiteatro de ar livre da Biblioteca Municipal, às 22h00. Como sempre, com entrada livre.
Aqui ficam algumas imagens dos espectáculos do fim-de-semana, como sempre com a assinatura de Manuel Meira Correia.

Rancho Folclórico Juventude do Alto Minho de Saint Priest Lyon:



Fados com Cláudia Madur:




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Faria Martins em Fafe - algumas imagens e a minha homenagem


O actor e grande amigo Faria Martins vai hoje a enterrar em Vila Nova de Famalicão. Era um actor excelente, talentoso e um homem de elevado carácter e enorme nobreza. Jamais o esqueceremos. A morte nunca tem explicação, nem desculpa, sobretudo quando se é demasiado novo para partir, como era o caso.
Aqui ficam algumas imagens para o recordar, sinceramente, relativas a diferentes espectáculos realizados em Fafe, o último dos quais foi há menos de três meses, no Teatro-Cinema. É a minha profunda homenagem ao artista e ao amigo que nos deixou,muito antes do que devia.
Fotos de Manuel Meira Correia.








quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O teatro está mais pobre – morreu o actor e amigo Faria Martins

Faria Martins é o segundo, a contar da esquerda. Até sempre, companheiro!
Li hoje no JN e fiquei chocado, porque, apesar de saber da sua grave doença, não esperava tão rápido e desolador desfecho.
Morreu, no Instituto Português de Oncologia, o actor e amigo Faria Martins, que integrava há vários anos o projecto da Jangada teatro, que tantos espectáculos realizou em Fafe, o último dos quais ainda há menos de três meses, exactamente em 21 de Maio, com a peça “A Festa dos Porcos”.
Pessoalmente, fiquei triste, consternado e desgostoso com a prematura morte deste grande artista, ainda com muito para dar ao teatro e à cultura do país, dada a sua idade (61 anos) imprópria para desaparecer do nosso convívio.
Faria Martins tinha um longo e frutuoso currículo artístico, quer como fundador e elemento do Teatro Construção (1975) e do Jangada teatro (1999), quer integrando ainda a companhia Seiva Trupe e o Filandorra – Teatro do Nordeste, além de participação na telenovela da RTP 1A Lenda da Garça, entre muitos outros projectos. Ver, a propósito, a biografia do actor na página da Jangada teatro na Internet (www.jangadateatro.com).
Nesta altura de dor e desolação, em que as palavras são sempre poucas, resta endereçar à família enlutada e à companhia Jangada a manifestação dos maiores pêsames, por esta perda irreparável para o teatro e para a nossa região, que tanto o estimava.
Caro Faria: onde quer que esteja, receba este abraço do tamanho da amizade, do respeito e da consideração que nos unia há mais de duas décadas!

Meu querido mês de Agosto (4)

É óptima “A Terra do Chiculate”
O lançamento da obra A Terra do Chiculate – relatos da emigração portuguesa, de Isabel Mateus, na Biblioteca Municipal de Fafe, constituiu um momento importante do ponto de vista cultural e de catarse desse fenómeno colectivo que foi a emigração clandestina para França, no início dos anos 60 do século passado. Já passaram 50 anos, mas ainda poucos se atrevem a abrir esse assunto-tabú do Portugal Contemporâneo. A “emigração a salto” é aqui tratada de uma forma pioneira, na perspectiva de uma criança, cuja mãe foi para terras gaulesas nos primórdios da emigração, deixando-a aos cuidados da avó e regressou, passados alguns anos, o que suscitou conflitos interiores de grande dimensão psicológica entre as personagens. Também a figura do “passador” é abordada pela primeira vez, o que reforça a importância e interesse da obra.
A jovem autarca portuguesa do município de Metz, em França, Nathalie Oliveira, que veio apresentar o livro, considerou que Isabel Mateus “é uma mulher de grande dimensão, apesar de aparentemente frágil, com uma escrita forte”, em que conseguiu “sublimar a história da emigração”, dando voz a muitas vozes. A Terra do Chiculate é um trabalho de grande qualidade humana e literária, que importa sublinhar. Lê-se como um documentário do que foram aqueles difíceis anos nos bairros de lata de Champigny.
Presente esteve também Maria da Conceição Melhorado, hoje uma docente do ensino secundário da zona de Coimbra, a menina que embala a boneca e come um bolo típico do Natal transmontano, captada com rara felicidade pelo famoso fotógrafo Gérald Bloncourt, em 1966. Considerou-se uma anti-heroína que representa “todas as crianças que foram a salto para França”. Também ela verbalizou a “vergonha relativamente aos bidonvilles”, apesar de considerar, na esteira de Bloncourt, que foram os emigrantes que construíram Paris.
Conceição Melhorado concluiu que Isabel Mateus “conseguiu passar para o papel tudo aquilo que os emigrantes sentiram”.
A autora espraiou as suas palavras nos agradecimentos e reiterou que a obra se destina a provocar alguma reflexão sobre o tema, visando “um melhor conhecimento do fenómeno da emigração clandestina para França” e que iam geralmente cair aos bairros de lata de Paris. Relembre-se que passaram pelos famigerados “bidonvilles” cerca de 120 mil portugueses, que depois dariam o salto para melhores condições de vida e de instalação.
A Terra do Chiculate – relatos da emigração portuguesa é uma obra cuja leitura se recomenda, a qualquer leitor, mas sobretudo aos que sentem a emigração, directa ou indirectamente. Que são quase todos os portugueses. Pois não há família, sobretudo no norte ou no centro do país, que não tenha um ou vários emigrantes no seu seio.
Juntam-se algumas fotografias do evento, como sempre com a competente assinatura de Manuel Meira Correia.







domingo, 14 de agosto de 2011

Correio de Fafe vai acabar?


Último número (até agora) publicado do Correio de Fafe.
O semanário Correio de Fafe, que primava pela regularidade, não saiu à luz da publicidade no último fim-de-semana de Julho, como seria normal. Foram alegados problemas técnicos e que sairia na semana seguinte, mas não saiu.
Fala-se por aí que o jornal estará a debater-se com graves problemas financeiros. Que os jornalistas estarão com salários em atraso e que existirão outras dívidas vultuosas.
Circula mesma na cidade o boato (e esperamos que seja mesmo apenas isso) que o Correio de Fafe vai acabar.
Seria uma perda enorme para a cultura e a sociedade fafense se tal viesse a verificar-se.
Mesmo que, em determinado período (anos 80, sobretudo), não morrêssemos de amores pelo jornal, e tivéssemos mesmo sido violentamente atacados por escribas anónimos do Correio de Fafe, com muita cobardia à mistura, não podemos deixar de considerar que, quando um jornal morre, a cidade fica mais pobre, mais vulnerável, mais triste. É uma perda de cidadania e de cultura.
Ficam a faltar o necessário pluralismo, as notícias mais abrangentes, o comentário divergente, que é sempre enriquecedor.
A actual série do Correio de Fafe (porque já tinha havido outras) surgiu em 13 de Junho de 1980, sob a direcção do professor Alberto Alves. A sua orientação política, desde o início, era claramente social-democrata e para combate encarniçado à Câmara socialista de Parcídio Summavielle, apesar de o estatuto editorial (que sempre mente, sempre mente…) afirmar, peremptoriamente, que o jornal “pautará a sua conduta sem submissão ou enfeudamento a qualquer organização política”. Na primeira fase, tal não foi verdade, como todos sabem. E basta folhear as páginas do jornal, para o comprovar… Nos últimos anos, registou-se maior pluralismo informativo e opinativo, que me parece de louvar e enaltecer.
Primeiro número do jornal, em meados dos anos 80
Nesta hora, cumpre-nos relacionar os directores que foram dando corpo, mais ou menos político, mormente na primeira fase, ao jornal, designadamente e até à actualidade, Alberto Alves, Soares Peixoto, Aureliano Barata, Serafim Salgado, Pedro Gonçalves, José Guimarães Antunes, José Manuel Correia, Paula Ramos Nogueira, Luísa Lameiras, Luís Meireles e António Ferreira Leite.
Quanto ao quadro de colaboradores que foram tecendo a opinião no Correio de Fafe, realce para A. Lopes de Oliveira, Domingos Oliveira Lopes, João Carlos Lopes, Clara Castro, Paulo Fafe, Humberto Gonçalves, Júlio Alves Rodrigues, José Salgado Leite, Miguel Monteiro e Hernâni Von Doellinger, entre muitos outros.
Apesar dos seus defeitos, que todos os jornais têm, o Correio de Fafe é absolutamente necessário à sociedade fafense. Já existem apenas dois periódicos. Se um deles acaba, o panorama da comunicação social local fica imensamente mais debilitado, o que não é bom para a saúde democrática e cívica do concelho.
Que não se confirmem os rumores que por aí circulam, são os nossos votos muito sinceros! E que o Correio de Fafe ressurja em Setembro, como sempre tem feito!
Um grande abraço para os seus jornalistas e colaboradores!